Votação prorrogada: 34 mil eleitores votaram depois das 17h; TSE diz que resultado não mudou
Decisão do ministro Cristiano Zanin estendeu o horário após relatos de falta de transporte, mas chegou quando muitas urnas já estavam fechadas.
Por Mariângela Santos · 26 de outubro de 2026

A decisão que prorrogou a votação do segundo turno por duas horas, no domingo (25), foi usada por 34.330 eleitores em todo o país, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) levantados pela plataforma setup.news e divulgados pela CNN Brasil. O número equivale a menos de 0,03% dos cerca de 128,2 milhões de eleitores que votaram.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a medida não mudou o resultado da eleição, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 51,79% dos votos válidos. "Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial", declarou. "Temos absoluta confiança em todo o processo eleitoral."
Como foi a prorrogação
Ao longo da tarde de domingo, chegaram à Justiça relatos de dificuldade no transporte de eleitores em várias regiões. A campanha de Lula pediu ao TSE mais tempo nos estados com problemas na circulação de ônibus e, por volta das 16h20, recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo duas horas a mais em todo o país.
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) também acionou o TSE, pedindo extensão em São Paulo, no Paraná e em Santa Catarina. A justificativa foi a chuva, que teria prejudicado o comparecimento.
O ministro Cristiano Zanin, sorteado relator no STF, acolheu o pedido por volta das 17h, horário previsto para o fim da votação. As seções ainda abertas puderam funcionar até as 19h (horário de Brasília).
Urnas já fechadas
Como a decisão saiu no limite do horário, milhares de urnas já tinham sido encerradas e não puderam ser reabertas. O TSE esclareceu depois que a extensão valia apenas para as seções ainda em funcionamento.
Segundo Nunes Marques, o pedido chegou ao tribunal por volta das 15h30, e não havia norma que autorizasse a prorrogação, uma medida inédita. O TSE precisou suspender por algum tempo o recebimento dos boletins de urna, o que acumulou arquivos à espera de processamento e atrasou a apuração. "Prorrogar uma eleição é possível, mas tem que ser pensado e estruturado", disse o ministro.
Quando os votos foram dados
Os dados mostram que quase todos os votos depois das 17h foram dados nos primeiros minutos. Foram 13.961 votos entre 17h e 17h01 e 29.001 até as 17h05. Do fim desse intervalo até o último voto, registrado às 19h06, foram mais 5.329. A concentração indica que boa parte dessas pessoas já estava na fila antes das 17h.
Pelo Código Eleitoral, quem está na fila no horário de encerramento tem o direito de votar. No primeiro turno, quando não houve prorrogação, 3.724.999 eleitores votaram depois das 17h por esse motivo.
Contestação
A prorrogação virou um dos argumentos de Flávio Bolsonaro, que não reconheceu a derrota e anunciou que vai pedir a anulação do pleito. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também criticou a medida. "Aquilo me pareceu muito ruim", disse, sem apresentar provas de fraude.
A diferença entre os candidatos no segundo turno foi de cerca de 4,4 milhões de votos, mais de 120 vezes o número de eleitores que votaram depois das 17h.
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