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Flávio Bolsonaro deixa o Brasil após Moraes mandar recolher passaporte; PF diz que ele viajou aos EUA

Senador derrotado no 2º turno não entregou os documentos no prazo de 24 horas e saiu do país com a família. Segundo a imprensa, usou o passaporte italiano e chegou a Miami.

Por Mariângela Santos · 26 de outubro de 2026

Senador Flávio Bolsonaro em foto oficial
Senador Flávio Bolsonaro em foto oficial. Foto: Agência Senado (via Wikimedia Commons)

Informação em desenvolvimento: a rota exata da viagem tem versões conflitantes e ainda não foi confirmada oficialmente pela Polícia Federal.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial, deixou o Brasil depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandar recolher seus passaportes e proibi-lo de sair do país. A saída foi confirmada à Gazeta do Povo por fontes da Polícia Federal (PF) na tarde de terça-feira (27).

Segundo a Gazeta do Povo, o senador viajou com a esposa, Fernanda, e as duas filhas, usou o passaporte italiano e chegou a um aeroporto executivo na região de Miami, nos Estados Unidos, por volta das 10h20 de quarta-feira (28).

A decisão de Moraes

A ordem de Moraes foi tomada a pedido da PF, que apontou indícios "concretos e atuais" de risco de fuga. Segundo os investigadores, pesaram três fatores: as declarações de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, defendendo que ele deixasse o país se perdesse a eleição; a capacidade financeira de Flávio; e a existência de uma estrutura no exterior que permitiria uma permanência longa.

Em entrevista a um podcast americano em 23 de outubro, Eduardo havia dito: "Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do País. Com certeza." Eduardo vive nos Estados Unidos desde o início de 2025 e teve a condenação a quatro anos de prisão mantida pela Primeira Turma do STF.

A decisão está sob segredo de justiça e foi tornada pública pelo próprio Flávio, na segunda-feira (26). Em vídeo, ele contou que foi intimado na rua por agentes da PF quando saía da casa do pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. "Vou entregar os meus passaportes e me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar", disse. "Mas ninguém vai me calar." Na mesma data, sua assessoria afirmou que ele "nunca pensou em deixar o Brasil".

Prazo vencido

Moraes deu 24 horas para a entrega dos documentos. O prazo terminou por volta das 11h de terça-feira, e os passaportes não foram apresentados. Os advogados do senador informaram que não conseguiram localizá-lo em Brasília. A PF então cancelou nos seus sistemas o passaporte comum e o diplomático de Flávio.

O cancelamento não impede o uso de um passaporte estrangeiro. Flávio pediu o reconhecimento da cidadania italiana em 2019 e obteve o documento europeu em 2023, segundo a CartaCapital.

Versões sobre a rota

A rota da viagem ainda tem versões conflitantes. Registros de autoridades aeroportuárias argentinas, citados pela Gazeta do Povo, indicam que o senador chegou a Puerto Iguazú, na Argentina, na noite de terça-feira, e embarcou em um jato executivo com escala em Guayaquil, no Equador. Um porta-voz do governo argentino, porém, negou à agência Bloomberg o registro da passagem do senador e a decolagem de um jato com essas características.

A PF não encontrou registro de saída de Flávio pelos postos oficiais de controle migratório e acionou as autoridades argentinas. Até a manhã de terça, aliados como o coordenador da campanha, Rogério Marinho (PL-RN), negavam a viagem.

Nos Estados Unidos, o empresário mexicano Simón Levy, aliado de Donald Trump, afirmou nas redes sociais que Flávio "chegou em segurança" e atribuiu a operação ao secretário de Estado americano, Marco Rubio. A informação não foi confirmada pelo governo dos EUA.

As investigações

Flávio é investigado no STF em inquéritos que apuram suspeita de lavagem de dinheiro em negócios ligados ao advogado Willer Tomaz e a plataformas de apostas, além do financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. A PF investiga se recursos atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, ajudaram a custear a permanência de Eduardo nos EUA. Na semana anterior, Moraes havia bloqueado até R$ 6 bilhões de Willer Tomaz, que vive em Miami desde agosto. Flávio e o advogado negam irregularidades.

O que acontece agora

Até a publicação desta reportagem, não havia notícia de mandado de prisão contra o senador. O mandato de Flávio termina em 1º de fevereiro de 2027, quando ele perde o foro no STF. Depois da derrota, ele não reconheceu o resultado e anunciou que vai pedir a anulação da eleição.

Fontes

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